Em tempos de crise, capacitar funcionários é a receita para o sucesso

22/05/2017 15:40h Treinamento

 Lilian Monteiro / www.em.com.br

O que deveria ser regra, torna-se diferencial. Crise econômica e alta competitividade, o treinamento in company é ferramenta essencial para produtividade e resultado no mercado.

Crescimento profissional, desenvolvimento social, produtividade e resultado são metas do mercado de trabalho intimamente ligadas à oferta do treinamento in company pelas organizações. O gestor que ainda hoje insiste com a visão míope de não capacitar internamente seus funcionários está fadado ao fracasso ou, na melhor das hipóteses, ao atraso de ganhos (e sucesso), seu principal objetivo.

O treinamento in company é feito dentro das instalações da empresa com o objetivo de ministrar cursos de acordo com as necessidades do empregador diante da performance de seus colaboradores com conteúdo personalizado. É uma formação direcionada para capacitar os funcionários e compartilhar conhecimentos específicos.

 


A percepção de líderes quanto a essa necessidade indica planejamento estratégico e perspectivas de expansão e crescimento tanto para a empresa quanto para o empregado. É via de mão dupla. O treinamento in company é uma forma de os gestores valorizarem seus profissionais, incentivar o aprendizado e não abrir mão da atualização, exigência do mercado em todas as áreas de atuação.

 


O treinamento in company ocorre também por um gap do mercado, que é a escassez de profissionais capacitados. Déficit que permeia todos os segmentos e fica ainda mais latente em áreas muito específicas, com a de tecnologia, onde há sempre mais oferta do que demanda.

Marcela Melo, gerente de RH da Precon Engenharia, explica que a empresa criou o programa “Trilha do saber” com o objetivo de formar todos os seus colaboradores internamente de acordo com as necessidades da companhia. “Ele tem módulos distintos para atender a toda a empresa. Os treinamentos técnicos são ministrados por multiplicadores internos, e os outros em formato de palestras são dados por profissionais referência no meio”, diz. Ela ressalta que o programa tem o cuidado de as palestras ocorrerem a cada dois meses, às sextas-feiras, com a Precon disponibilizando o horário de trabalho. Vans saem da fábrica e das obras levando os colaboradores para o auditório do evento. Já os cursos técnicos abrangem várias áreas, como técnicas de negociação, Excel, autoCAD, como se apresentar em público. Eles são feitos depois do horário de trabalho, dentro da empresa, que disponibiliza um local adequado e as ferramentas necessárias.

PREMIADA A gerente destaca que o ganho para a carreira é grande. “Os cursos técnicos têm certificado, valorizam o currículo, e a capacitação não o ajudará somente na Precon, o conhecimento é dele. Quanto aos cursos comportamentais e motivacional, orientam o funcionário na evolução da carreira. É um ganho de competências mais pessoal, em que cada um pode buscar o autodesenvolvimento e fazer sua trilha dentro da empresa.”

Para a Precon, o resultado é mais que positivo. Marcela Melo diz que há ganho em produtividade, melhor resultado, além de alinhar a comunicação e proporcionar a integração de colaboradores entre as áreas. Sem falar, enfatiza a gerente, da valorização do trabalhador, que enxerga a empresa como preocupada com ele. A consequência desse investimento a organização colheu em 2015 e 2016. “Ganhamos o título de uma das melhores empresas para se trabalhar nacionalmente pela Você S/A nos dois últimos anos e o mineiro em 2015 dado pela Great Place to Work (GPTW). A Precon sempre se preocupou não só em capacitar, mas em valorizar as pessoas.”

De acordo com a diretora da TAO Coaching, Raquel Couto, os treinamentos in company garantem aumento da capacitação e desenvolvimento do profissional, elevação da eficácia, motivação e produtividade no trabalho, além da melhor utilização e aproveitamento do potencial da equipe e dos recursos disponíveis. Para medir o impacto real desses treinamentos, ela afirma que é recomendável que o gestor busque cursos que sejam mensuráveis junto à equipe.

Treinamento in company é um investimento estratégico. Além do ganho conjunto para patrões e empregados, no que se refere a resultados e competências, é uma ferramenta de aperfeiçoamento contínuo com alto valor agregado. Decisão de interesse para os dois lados.

A ALE, quarta maior distribuidora de combustíveis do Brasil, desenvolveu uma plataforma itinerante de treinamentos para a equipe dos postos: o chamado “Ônibus Escola”, que integra a chamada “Academia Corporativa”. A companhia oferece os cursos Show de atendimento e Campeões em venda de lubrificantes com o objetivo de capacitar frentistas e revendedores para que eles façam atendimentos com excelência, além de contribuir para a fidelização dos clientes. A empresa ainda oferece cursos de educação a distância (EAD) por meio de um portal para capacitação, que pode ser acessado de qualquer local. A plataforma digital disponibiliza cursos sobre atendimento ao consumidor, conveniência, lubrificantes, segurança, meio ambiente, vendas e gasolina aditivada.

“Somente no primeiro quadrimestre deste ano foram formadas 93 turmas de treinamento, com 6.064 horas de aprendizado e capacitação de 758 profissionais de 111 postos participantes. Nesse período, foram percorridas 53 cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco. Nos próximos meses, a plataforma itinerante vai passar por Alagoas, Sergipe, Rio de Janeiro e Bahia, com a previsão de capacitar 900 profissionais ainda no primeiro semestre de 2017”, afirma Clarissa Ornelas Murta, supervisora de Treinamentos da Revenda e EAD da ALE.

Mariana Costa Mercadante, coordenadora de orçamento e conciliações da ALE, garante que “o ganho é tanto da empresa quanto para a carreira, já que temos a oportunidade de nos manter atualizados em um mundo que muda de cenário a cada instante e precisamos ter contato não só com as ferramentas que surgem, mas com os outros colegas. O treinamento é importante para atualizar nossos conhecimentos e adquirir novos saberes”.
 

JOB ROTATION

 

Com quatro anos de empresa, Mariana, formada em engenharia de produção, começou como trainee e, até chegar ao atual cargo, foi supervisora de orçamento. “Os treinamentos ajudaram na minha trajetória. Primeiro, como trainee tive contato com os principais gestores de áreas, depois fiz o de integração, que é bem bacana, porque nos proporciona conhecer e acelerar o conhecimento inicial da parte operacional e do negócio. É para nivelar todo mundo. Em seguida, o treinamento de job rotation, que dura em média uma semana por área para maximizar o aproveitamento e o aprendizado dentro da empresa. Passei pelo financeiro (contas a pagar), na base de distribuição, em Betim, pelo marketing, planejamento, entre outras. E ainda fiz o de ferramentas específicas, como Excel e Axis, além de banco de dado, uma demanda específica de setor. Hoje, lidero equipe de sete pessoas e os treinamentos contribuíram para minha liderança ser assertiva, motivação da equipe, gestão de pessoas e para minha automotivação.”

Para Mariana Mercadante, o treinamento “é essencial porque adquirimos conhecimento que levamos para a vida. Ele nunca se perde”.

• Busca de alta performance

Capacitar toda a equipe de forma ágil e integrada é um dos inúmeros benefícios do treinamento in company. O impacto por causa da integração dos colaboradores garante eficácia no trabalho e resultado positivo. Os supermercados Verdemar, que em 2016 treinaram quase 12 mil funcionários em 96 cursos, desde procedimentos de rotina, como postura no trabalho e devolução e trocas de mercadoria até ações específicas como o “Sócio torcedor”, só colhe expertise e alta performance.

Leandro Souza de Pinho, superintendente de RH do Verdemar, reforça o valor do treinamento in company para a rede de supermercado e os funcionários. “A empresa ganha ao possibilitar ao funcionário uma formação dentro de seus valores, já que o treinamento é mais pontual e de acordo com a cultura e missão da organização. O que é melhor absorvido pelos colaboradores e gera mais resultado tangível e mensurável. Já o funcionário ganha em diferencial, já que é formado tanto na parte operacional, técnica e comportamental. E o conhecimento fica com ele, leva para sua carreira e, seguramente, terá inserção maior no mercado. Nossos funcionários são conhecidos pela formação e são disputados.”

INVESTIR NO NEGÓCIO

O superintendente explica que o treinamento técnico é voltado para as atividades e processos da loja; já o comportamental se aplica ao atendimento ao cliente (forma e jeito), sobre o que é valor no atendimento. Não é só sorrir, mas entender do produto e acompanhar o cliente até o que ele deseja, por exemplo. Ele explica que cada treinamento está ligado a uma visão. “O treinamento in company possibilita, por meio de várias ferramentas, que a empresa alcance sua estratégia.”

Leandro Pinho enfatiza que o treinamento no Verdemar, além do conteúdo teórico e prático, se preocupa com a apreensão do que foi passado. “Além de reciclar o funcionário, temos até prova para saber se ele realmente aprendeu o conteúdo, análise de frequência, aproveitamento e verificação com os líderes dos setores e nossos próprios clientes.”

SAIBA MAIS:

Treinamento nunca é demais. E vale para todo cargo, não importa a hierarquia. A preparação de líderes é cada vez mais necessária diante do atual cenário econômico. Ter neste momento gestores criativos, capacitados para solucionar problemas com agilidade e com foco em resultado é essencial para a retomada do crescimento. Diante desse cenário, é preciso pensar fora da caixa. Essa é a proposta do “Plataforma do futuro”, programa de imersão para gestores e empresários do Instituto Aquila, que já capacitou 500 gestores de 80 empresas de diversos estados brasileiros, e que terá sua 21ª edição de 24 a 26 deste mês. O treinamento começa a bordo de um vagão de trem exclusivo e segue com diversas atividades integradas à natureza numa fazenda na região do Vale do Rio Doce. O diretor de operações do Instituto Aquila, Paulo Coimbra, afirma que é preciso investir em conhecimento que prepare os gestores para gerar resultados. “É preciso ter foco. No curso é trabalhada a superação de desafios, sempre mesclando conhecimento técnico e habilidades comportamentais, como inteligência emocional, capacidade de adaptação e trabalho em equipe. Historicamente, as pessoas absorvem apenas 30% da informação dada em treinamentos teóricos. No programa de imersão, quando combinadas teoria e prática, os níveis de absorção sobem para acima de 80%.”

Por que treinar?

1) Integração à cultura, valores e missão da empresa

2) Melhor produtividade

3) Menos turnover

4) Atualização

5) Desenvolver habilidades

6) Integração entre os colegas de trabalho

7) Crescimento profissional

8) Mais resultado e, consequentemente, lucro

9) Sobrevivência do negócio

10) Eficiência estratégica e competitividade 

 

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